A chegada dos portugueses
Era 22 de abril de 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra — mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas enseadas generosas do sul da Bahia, os treze navios da maior armada já enviada Índia pela rota descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes. O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O Brasil, batizado de Ilha de Vera Cruz, misturava, naquele instante, sua história ao curso da história da expansão européia.
A chegada dos portugueses está registrada com requinte e minúcia. Poucas são as nações que possuem uma "certidão de nascimento" tão precisa e fluente quando a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando a "achamento" da nova terra. Graças a ela, é possível reconstituir, passados cinco séculos, o período que alguns historiadores chamam de “Semana de Vera Cruz”.
Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduzia a armada de Cabral muito mais para Oeste do que o necessário para chegar à Índia. É provável que a questão jamais venha a ser plenamente esclarecida. No entanto, a assinatura do Tratado de Tordesilhas, a naturalidade com que a nova terra foi avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as boas condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que aquele território já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente.
Era domingo e Lisboa, capital ultramarina da Europa, estava em festa. Os treze navios da frota mais poderosa já armada por Portugal balouçavam nas águas reluzentes do Tejo. "E muitos batéis rodeavam as naus e ferviam todos com suas librés de cores diversas, que não parecia mar, mas um campo de flores e o que mais elevava o espírito eram as trombetas, atabaques, tambores e gaitas", registrou o cronista João de Barros, testemunha ocular do dia memorável. Oito meses antes, chegara aquele mesmo porto a diminuta frota de Vasco da Gama. Trazia a notícia que durante quase um século fora a obsessão portuguesa: desvendara, enfim, a rota marítima que conduzia a Índia. Agora, o rei D. Manuel queria que todos, especialmente os espiões espanhóis, italianos e franceses, vislumbrassem a gloriosa partida de sua nova missão (comercial e guerreira) ao reino das especiarias.
Os navios partiram na segunda-feira, 9 de março de 1500. As ordens eram claras: a portentosa esquadra de Pedro Álvares Cabral estava em missão rumo à Índia. Deveria seguir pela rota descoberta por Vasco da Gama, estabelecer relações comerciais e diplomáticas com o samorim de Calicute e, de imediato, fundar uma feitoria em pleno coração do reino das especiarias. Por isso, apesar da exuberância da paisagem, da complacência dos nativos e das benesses do clima, os portugueses permaneceram apenas dez dias nas paragens paradisíacas da Ilha de Vera Cruz.
Era 22 de abril de 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra — mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas enseadas generosas do sul da Bahia, os treze navios da maior armada já enviada Índia pela rota descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes. O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O Brasil, batizado de Ilha de Vera Cruz, misturava, naquele instante, sua história ao curso da história da expansão européia.
A chegada dos portugueses está registrada com requinte e minúcia. Poucas são as nações que possuem uma "certidão de nascimento" tão precisa e fluente quando a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando a "achamento" da nova terra. Graças a ela, é possível reconstituir, passados cinco séculos, o período que alguns historiadores chamam de “Semana de Vera Cruz”.
Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduzia a armada de Cabral muito mais para Oeste do que o necessário para chegar à Índia. É provável que a questão jamais venha a ser plenamente esclarecida. No entanto, a assinatura do Tratado de Tordesilhas, a naturalidade com que a nova terra foi avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as boas condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que aquele território já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente.
Era domingo e Lisboa, capital ultramarina da Europa, estava em festa. Os treze navios da frota mais poderosa já armada por Portugal balouçavam nas águas reluzentes do Tejo. "E muitos batéis rodeavam as naus e ferviam todos com suas librés de cores diversas, que não parecia mar, mas um campo de flores e o que mais elevava o espírito eram as trombetas, atabaques, tambores e gaitas", registrou o cronista João de Barros, testemunha ocular do dia memorável. Oito meses antes, chegara aquele mesmo porto a diminuta frota de Vasco da Gama. Trazia a notícia que durante quase um século fora a obsessão portuguesa: desvendara, enfim, a rota marítima que conduzia a Índia. Agora, o rei D. Manuel queria que todos, especialmente os espiões espanhóis, italianos e franceses, vislumbrassem a gloriosa partida de sua nova missão (comercial e guerreira) ao reino das especiarias.
Os navios partiram na segunda-feira, 9 de março de 1500. As ordens eram claras: a portentosa esquadra de Pedro Álvares Cabral estava em missão rumo à Índia. Deveria seguir pela rota descoberta por Vasco da Gama, estabelecer relações comerciais e diplomáticas com o samorim de Calicute e, de imediato, fundar uma feitoria em pleno coração do reino das especiarias. Por isso, apesar da exuberância da paisagem, da complacência dos nativos e das benesses do clima, os portugueses permaneceram apenas dez dias nas paragens paradisíacas da Ilha de Vera Cruz.