O futuro dos índios no Brasil

Do descobrimento até hoje, mais de mil grupos étnicos já foram extintos no Brasil. Sobram 200 tribos e pouco mais de 300 mil índios. Suas reservas ocu­pam 850 mil quilômetros quadrados, ou cerca de 10% do território nacional — área sob constante ameaça de invasores eposseiros. Em pleno século XXI, o Brasil ainda trata seus nativos como mero entrave ao avanço da civilização.

 

A população nativa

Jamais se saberá com certeza, mas quando os portugueses chegaram à Bahia os índios brasileiros somavam mais de dois milhões — quase três, segundo alguns autores. Mas, no alvorecer do Terceiro Milênio da Era Cristo, não passam de 325.652 — menos do que dois estádios do Maracanã lotados. Foram dizimados por gripes, sarampo e varíola; escravizados aos milhares e exterminados pelo avanço da civilização e pelas guerras intertribais, em geral estimuladas pelos colonizadores europeus.
Ainda assim, os povos remanescentes constituem 215 nações e falam 170 línguas diferentes. De acordo com dados do ano 2000, obtidos junto a Fundação Nacional do Índio (Funai), as tribos mais ameaçadas de extinção são os Xetá, do Paraná (restam apenas três indivíduos), os Juma, do Amazonas (sete) e os Ava-Canoeiro (dez, dos quais só seis contatados). As tribos mais numerosas são os Ticuna (23 mil índios), os Xavante e os Kayapó.
A idade media dos índios brasileiros é 17,5 anos, porque mais da metade da população tem menos de 15 anos. A expectativa de vida é de 45,6 anos e a mortalidade infantil é de 150 para cada mil nascidos. Existem pelo menos 50 grupos que jamais mantiveram contato com o homem branco, 41 dos quais sequer se sabe onde vivem – embora seu destino já pareça traçado. Mesmo que o último censo populacional (realizado em 2000) tenha demonstrado que os indígenas são o grupo étnico que mais cresce, a extinção os persegue e ameaça.

tribo avá canoeiro

Potdjawa e Trumack, irmãos Avá-Canoeiros, banhando-se no Rio Tocantins, Folha Imagem.

Futuro perverso: Trumack e Potdjawa, banhando-se no rio Tocantins, são a única esperança de sobrevivência para a outrora poderosa tribo dos Avá-Canoeiro. Para impedir a extinção do grupo, eles precisam se casar e ter filhos. O problema é que os dois são irmãos.

 

 

 

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