O início da colonização

As duas viagens ao Brasil realizadas por Américo Vespúcio ambas provavelmente comandadas por Gonçalves foram também as duas primeiras grandes missões de reconhecimento a terra oficialmente descoberta por Cabral. E, por meio século traçaram-lhe um destino inglório: não há ouro a flor da terra, nem impérios a serem conquistados na região. A Coroa portuguesa desinteressou-se de colonizar o Brasil, embora não deixasse de enviar frequentes expedições a nova colônia.
Na segunda década do século XVI, os franceses também passaram a explorar o pau-brasil em grande escala ao longo da costa brasileira. Para vigiá-los e puni-los foram enviadas grandes expedições guarda-costas, todas chefiadas pelo inclemente Cristóvão Jaques.
No instante em que a cobiça dos navegadores e traficantes franceses pelo território brasileiro tornou-se ostensiva, e seu conhecimento do litoral e a aliança com várias tribos indígenas evidente, a Coroa portuguesa abandonou a inércia e decidiu enviar ao Brasil uma poderosa expedição — desta vez, não apenas uma missão mi­litar, mas também colonizadora. Para comandá-la foi escolhido o fidalgo Martim Afonso de Souza, de 30 anos, um amigo de infância do rei D. João III que, além de ser guerreiro era também homem de letras e da ciência.
A expedição de Martim Afonso trouxe a lei e a ordem para o amplo território brasileiro, onde apenas um punhado de portugueses — degredados, náufragos ou desertores — vivia de acordo com "a lei natural, contentando-se com quatro mancebas e os mantimentos da terra". Martim Afonso chegou com plenos poderes, inclusive sobre a vida e a morte daqueles que o acompanhavam e dos que viesse a encontrar, com exceção dos fidalgos. Poderia também distribuir terras em sesmarias, criar e nomear tabeliões e demais oficiais de justiça.
Durante a viagem de regresso, Martim Afonso fundou São Vicente, em janeiro de 1532, o primeiro núcleo efetivo de portugueses no Brasil. Partiu de volta para Lisboa e daí para a Índia. Jamais retornou ao Brasil.

 

 

As capitanias hereditárias


Foi em março de 1532, quando Martim Afonso de Souza ainda estava em São Vicente, que o rei D. João III decidiu empregar no Brasil o mesmo sistema de colonização que já havia dado certo nos Açores e na ilha da Madeira.
Como a Coroa já despendera fortunas na conquista da Índia o rei optou por dividir as terras brasileiras em 14 capitanias hereditárias, totalizando lotes. Eles foram doados a figuras importantes da Corte — que, de imediato tornavam responsáveis pela sua colonização.
Além das vastas porções de terra (cada lote tinha, em média, 25 quilômetros de largura, estendendo-se até o limite ainda demarcado de Tordesilhas, em algum lugar no interior do continente misterioso), os donatários receberam também poderes verdadeiramente majestáticos. Podiam legislar e controlar tudo em suas terras — menos a arrecadação de impostos reais. Em compensação deveriam arcar com todas as despesas da colonização. Os lotes foram repartidos aleatoriamente, levando em conta apenas acidentes geográficos da costa, mas ignorando por completo a divisão territorial estabelecida há séculos pelas tribos indígenas — e, acima de tudo ignorando também se eram tribos aliadas ou hostis aos portugueses.
As capitanias representam a primeira e decisiva incursão dos portugueses no tópico edefinem o embrião da futura ocupação do Brasil. Ainda assim, numa perspectiva eminentemente pessoal, a saga dos donatários lhes foi terrivelmente pesada.
Do norte para o sul, eram as seguintes as capitanias:

  1. Primeira Capitania do Maranhão
  2. Segundo Capitania do Maranhão
  3. Ceará
  4. Rio Grande
  5. Itamaracá
  6. Pernambuco ou Nova Lusitânia
  7. Bahia de Todos os Santos
  8. Ilhéus
  9. Porto Seguro
  10. Espírito Santo
  11. São Tomé
  12. Rio de Janeiro
  13. Santo Amaro
  14. São Vicente
  15. Santana

 

 

This free website was made using Yola.

No HTML skills required. Build your website in minutes.

Go to www.yola.com and sign up today!

Make a free website with Yola