O açúcar
No Brasil, a cana-de-açúcar foi introduzida por Martim Afonso de Souza, também dono do primeiro engenho erguido no país, em associação com o holandês Johann Van Hielst (chamado de João Vaniste), representante dos Schetz, ricos armadores, comerciantes e banqueiros de Amsterdã.
A partir da chegada dos donatários, a cultura açucareira adquiriu estupendo impulso no Brasil. Em 1628, havia já em torno de 235 engenhos instalados no Nordeste brasileiro. Em 1637, época do Brasil holandês, a produção de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba e Rio Grande do Norte ultrapassaram 1 milhão de arrobas anuais.
Mas a pujança e grande lucratividade da lavoura de cana parecem ter cruzado apenas de passagem pela casa-grande que abrigava os senhores de engenho. O verdadeiro lucro ia para os que embarcavam o açúcar para a Europa. Lucros estes que eram utilizados para fazer novos empréstimos aos senhores de engenho, que viviam assim “em perpétua dívida, da qual periodicamente clamavam por perdão”. De qualquer maneira, após uma ou duas boas colheitas, vários proprietários vendiam tudo o que tinham e regressavam a Portugal.
O longo e rendoso reinado do açúcar em terras brasileiras — iniciado em 1530 ainda sem data para acabar — trouxe também consequências amargas para o país. Plantada com avidez e impaciência no luxuriante solo de aluvião do litoral nordestino, a cana-de-açúcar deu luz ao Brasil, colocando-o no mapa do comércio planetário. Tornou-se "o principal nervo e substância da riqueza da terra", segundo um cronista. Com os dividendos — de qualquer forma logo emigrados para Portugal e, para a Holanda —, veio a devastação das matas, a escravização indígena em larga escala desatinos do monopólio e da monocultura, a infâmia inominável do tráfico negreiro atingem do lucro fácil, o latifúndio a pirâmide social exclusivista, a ganância desenfreada vícios que o Brasil, em vez de sanar, incorporou.
No Brasil, a cana-de-açúcar foi introduzida por Martim Afonso de Souza, também dono do primeiro engenho erguido no país, em associação com o holandês Johann Van Hielst (chamado de João Vaniste), representante dos Schetz, ricos armadores, comerciantes e banqueiros de Amsterdã.
A partir da chegada dos donatários, a cultura açucareira adquiriu estupendo impulso no Brasil. Em 1628, havia já em torno de 235 engenhos instalados no Nordeste brasileiro. Em 1637, época do Brasil holandês, a produção de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba e Rio Grande do Norte ultrapassaram 1 milhão de arrobas anuais.
Mas a pujança e grande lucratividade da lavoura de cana parecem ter cruzado apenas de passagem pela casa-grande que abrigava os senhores de engenho. O verdadeiro lucro ia para os que embarcavam o açúcar para a Europa. Lucros estes que eram utilizados para fazer novos empréstimos aos senhores de engenho, que viviam assim “em perpétua dívida, da qual periodicamente clamavam por perdão”. De qualquer maneira, após uma ou duas boas colheitas, vários proprietários vendiam tudo o que tinham e regressavam a Portugal.
![]() | Jean Baptiste Debret, Engenho manual que faz caldo de cana, Col. Castro Maya. |
